PROPOSTAS
As propostas foram baseadas em anos de trabalho, e abarcam assuntos como: Meio Ambiente, Patrimônio Cultural, Mobilidade, Saúde, educação, inclusão, dentre outros temas importantes para o Distrito Federal e que fazem parte da minha experiência de trabalho, gestão e de vida.
1. Paisagem como infraestrutura urbana
Os sistemas de espaços livres precisam ser reconhecidos como parte da infraestrutura essencial da cidade.
Parques, praças, jardins, áreas arborizadas, corredores ecológicos, canteiros, áreas de preservação, cursos d’água e demais espaços livres devem constituir uma rede contínua de infraestrutura verde e azul, articulada ao planejamento urbano e ambiental.
Essa rede pode desempenhar simultaneamente funções ambientais, sociais, culturais e urbanísticas: favorecer a infiltração das águas pluviais, reduzir ilhas de calor, ampliar a biodiversidade, proteger recursos hídricos, melhorar o microclima, proporcionar lazer e convivência e qualificar a experiência cotidiana da população.
2. Soluções Baseadas na Natureza como política pública
Em um cenário de mudanças climáticas, a infraestrutura verde não pode ser tratada como elemento acessório ou ornamental. Ela é infraestrutura urbana e instrumento de adaptação climática.
Defendo a incorporação sistemática das Soluções Baseadas na Natureza (SBN) aos projetos, obras e políticas públicas do Distrito Federal. São Jardins de chuva, biovaletas, pavimentos permeáveis, arborização urbana, recuperação de áreas degradadas, corredores verdes, parques lineares e outras estratégias de drenagem sustentável não devem permanecer restritos a experiências pontuais.
É preciso aprimorar leis que integrem os instrumentos de planejamento urbano, os projetos de infraestrutura, os processos de urbanização e requalificação e os investimentos públicos.
3. Uso do solo e capacidade ambiental do território
As decisões sobre adensamento e ocupação territorial devem considerar não apenas índices construtivos e disponibilidade de infraestrutura convencional, mas também a capacidade ambiental e paisagística do território.
É necessário avaliar disponibilidade hídrica, permeabilidade do solo, cobertura vegetal, corredores ecológicos, conforto ambiental, mobilidade, capacidade dos espaços públicos e impactos sobre a paisagem antes da ampliação significativa da ocupação urbana.
O planejamento territorial precisa antecipar os impactos da urbanização, e não apenas buscar soluções depois que os problemas já estiverem instalados.
4. Espaço público como lugar de encontro e direito à cidade
Praças, parques, calçadas, jardins e demais espaços públicos são parte fundamental da vida democrática.
Importa entender que a sua qualidade interfere diretamente na possibilidade de crianças, idosos, mulheres, pessoas com deficiência e pessoas com mobilidade reduzida usufruírem plenamente da cidade.
Defendo espaços públicos acessíveis, iluminados, seguros, arborizados, confortáveis e climaticamente adequados, concebidos para favorecer permanência, convivência, mobilidade ativa e diversidade de usos. Porque não basta construir espaços públicos, é necessário garantir projeto qualificado, implantação, manejo, manutenção e participação social.
5. Mobilidade também se faz pela paisagem
Mobilidade urbana não pode ser discutida isoladamente do desenho da cidade.
Caminhar ou utilizar bicicleta depende da existência de calçadas adequadas, continuidade dos percursos, acessibilidade, arborização, sombreamento, iluminação, segurança e conforto climático.
A infraestrutura verde deve acompanhar os sistemas de mobilidade ativa e transporte coletivo, criando percursos mais confortáveis e contribuindo para conectar parques, praças, equipamentos públicos, áreas residenciais e centralidades urbanas. Uma cidade caminhável também precisa ser uma cidade sombreada.
6. Água, Cerrado e paisagem
No Distrito Federal, falar de planejamento urbano exige falar de água. A proteção das áreas de recarga, nascentes, córregos, matas de galeria e demais componentes do sistema hídrico deve orientar as decisões sobre ocupação territorial.
É necessário substituir progressivamente a lógica de simplesmente retirar a água da chuva da cidade pela compreensão de que devemos reter, infiltrar, armazenar, reutilizar e devolver água ao território sempre que possível.
O Cerrado não deve ser percebido como vazio disponível para expansão urbana. É patrimônio natural, estrutura ecológica e elemento essencial da identidade da paisagem do Distrito Federal.
7. Paisagem cultural e identidade
Brasília possui uma relação indissociável entre arquitetura, urbanismo e paisagismo.
A proteção de sua paisagem cultural exige compreender não apenas edifícios isolados, mas também escalas urbanas, espaços livres, jardins, arborização, visuais, relações entre áreas construídas e não construídas e características ambientais que participam da identidade da cidade.
Da mesma forma, é necessário reconhecer e valorizar as paisagens culturais existentes para além da área tombada de Brasília, incorporando histórias, territórios, modos de vida e referências das diferentes Regiões Administrativas.